sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Clara

Clara estava deitada debaixo duma árvore.
O dia estava quente,agradável.
Algumas folhas tecidas com as flores a cercavam.
Usava um vestido leve,branco.No cabelo,uma linda rosa fora colocada sobre o grampo que prendia os lindos cachos dourados.
Estava descalça...gostava de sentir a grama tocar seus pés.
Seu semblante era tranqüilo,estava em paz...e feliz!
Observava tudo ao seu redor com satisfação,tudo em perfeita harmonia.
Logo,viu uma intrigante borboleta pousar sobre a grama.Depois,com a leveza típica das borboletas,levantou vôo e começou a rodear Clara.Parecia que a estava chamando,querendo lhe dizer algo.Não demorou muito para Clara ter a mesma sensação.Pôs-se em pé!A borboleta,satisfeita,saiu voando,formando um caminho no ar e Clara a seguia.Estava agora maravilhada,hipnotizada pela leveza do vôo da borboleta.
A menina esticava o braço para tentar pegá-la,mas era inútil.
A borboleta não era real.Era feita de sonho.E se desfez assim que Clara se deu conta.Mas antes que pudesse esboçar algum sinal de tristeza,surgiu uma pequena nuvem rosa,parecia um algodão doce.Rapidamente,Clara se encantou.Ficou olhando fixamente para a nuvenzinha.Os olhos cresciam e brilhavam enfeitiçados.Nem percebeu a imensa rede que se aproximava.Se assustou quando a rede engoliu a nuvem e saiu em disparada.
Sem pensar,saiu correndo atrás.E quando perdeu o fôlego,se desesperou.Para onde teriam levado a nuvenzinha?Já perdera a borboleta,não podia deixar que acontecesse o mesmo com a nuvem rosa.Seria ela feita de sonho também?Não podia acreditar nisso,caso contrário,a nuvem também sumiria.Preferiu acreditar que era feita de algodão doce mesmo.
Sentiu gotas d'água molharem seu rosto,imediatamente olhou para o céu e para sua surpresa,lá estava a nuvem,presa onde era seu lugar.Clara se sentiu triste.As gotas eram lágrimas.
A nuvem estava tão distante.Não podia tocá-la.Não podia senti-la entre seus dedos.Por mais que pulasse,nunca a alcançaria.E doía em seu coração ver a nuvem presa,chorando!Queria libertá-la!Fechou os olhos bem apertados,passou a acreditar que a nuvem era feita de sonho.Abriu os olhos lentamente,não sentia mais as gotas,a nuvem tinha se desfeito.
Clara permaneceu alí,olhando fixamente o céu que agora parecia descer.Surgiu no céu um pequeno ponto luminoso.Pensou ser uma estrela.Mas conforme o céu ia descendo,a luz ia ficando maior e mais intensa,não se tratava de uma estrela.O que seria?A luz cada vez mais forte,agora a cegava.
Clara estava deitada sobre a cama.Os lençóis brancos.Ao seu lado,outras camas iguais.
Do quarto,podia-se ouvir o movimento nos corredores.O entra e sai de gente.
A menina vestia uma camisola.Os cabelos ondulados,sem vida.O rosto pálido,o corpo estirado na cama,sem força.Em seu sangue,o soro!Seus olhos espelhavam desalento.Já nem sabia mais quanto tempo estava naquela cama.Só conseguia pensar na borboleta e na nuvem rosa.Pensava nelas todos os dias.Sentia as gotas escorrerem pelo seu rosto e via a borboleta se desfazer,mais uma vez e outra...e outra.Era assim que contava o tempo.
Até que a borboleta não se desfez mais e as gotas cessaram!
Os lençóis brancos estirados!A cama vazia!

5 comentários:

Thiago disse...

Tadinha da Clarinha! Gostava tanto da simpática garota sonhadora e Kel me mata a coitada? Só não vou pedir o ban porque o texto ficou excelente, mto bem escrito e bonito.

Mto bom mesmo Kel!


Finalmente o Sol Ardente tem algum texto bem escrito! hahahahahaha

Blower's Daughter disse...

Thi!
Hahaha!
Obrigada,que bom que gostou do texto!
Ah,eu adoro os textos que vc escreve e são mto bem escritos tb viu!
A morte da Clara simboliza a morte dos nossos sonhos.Daquilo que almejamos,que queremos alcançar,mas que não podemos.E que se desfazem com o tempo.
Bjokas!

Thiago disse...

uhhhm, eu achava que ela tinha câncer.

Não sou tão poéctico qto kel pra interpretar texto, percebam.

E a morte da gema representa o que?

(banam 78 vezes por garantia, pela piada idiota).

Blower's Daughter disse...

Thi,hahahahaha!
Então,fica em aberto pro leitor imaginar do que a Clara morreu.Se ela tinha câncer ou outra doença,enfim,cada um pode interpretar da sua maneira.Enquanto eu escrevia,eu pensava se ia definir a morte dela ou não,optei por deixar em aberto.
A Clara representa a nossa impotência diante das coisas,ela sonhava,tentava alcançar o que não podia,afinal,ela estava sem forças,numa cama de hospital.Acontece o mesmo nas nossas vidas.Qtas coisas não podemos ter,qtos sonhos se desfazem por estarmos impotentes?Presos numa vida que não queremos.Os dias passando,os sonhos se repetindo e se desfazendo,até que vão embora de vez...=/
É triste isso!
Mas enfim,já comentei demais sobre o texto,hahaha
Bjokas!

Freier Geist disse...

Rachel Weiz!!!
brilhantes metáforas e eufemismos!!
TExto lindo! Muito bem escrito!!
Já disseque vc é a Clarice do futuro!!
Parabéns!!
Beijokas!
=]